Por conta de uma “situação insustentável”, o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, pode pedir alguma forma de afastamento de seu cargo na Presidência da República ainda nesta sexta-feira (9), segundo a avaliação de fontes do Palácio do Planalto ao G1.
Reportagem exibida pelo Jornal Nacional nesta quinta-feira (8) revelou que José Aparecido, tendo por base o laudo preliminar do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), responsável pela perícia nos computadores da Casa Civil, seria o responsável pelo vazamento das informações do dossiê, com gastos da Presidência durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, para André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB). Os dados acabaram posteriormente sendo publicados na imprensa.
O funcionário da Casa Civil ainda não apareceu para trabalhar nesta sexta-feira no Palácio do Planalto. Sua sala estava trancada e, nervosos, servidores do mesmo setor confirmaram sua ausência. O mais provável é que Aparecido retorne ao Tribunal de Contas da União (TCU), por onde ingressou no serviço público, mas também pode optar por um afastamento temporário, algum tipo de licença, ou até mesmo férias. Nestas últimas opções, ainda permaneceria oficialmente vinculado à Casa Civil. José Aparecido foi indicado pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.
A saída do funcionário da Casa Civil, neste momento, depende, porém, mais de uma ação sua do que do governo federal. As assessorias de imprensa do Palácio do Planalto e da Casa Civil não têm posição oficial sobre o assunto. Informam apenas que é preciso aguardar o término dos trabalhos da Polícia Federal, que tem prazo formal de 60 dias para apresentar resultados, e da sindicância interna instaurada pela Casa Civil, que vai até 26 de maio, sobre o vazamento dos dados.
Por Alexandro Martello, do G1, em Brasília - G1
QUEM É JOSÉ APARECIDO:
José Aparecido Nunes Pires é militante histórico do PT. Foi levado para a Casa Civil por José Dirceu, o antecessor da ministra Dilma Rousseff. Funcionário de carreira do Tribunal de Contas da União, assessorou vários deputados petistas em CPIs, entre eles Dirceu, cassado em 2005 no escândalo do mensalão. Agora ele é apontado por investigação do Instituto de Tecnologia da Informação como o responsável pelo vazamento do dossiê feito pelo Palácio do Planalto com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique.
sábado, 10 de maio de 2008
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